THE WHITE WIDOWS

Quando estava na sala de prática com The White Widows me sentia como um passageiro de um trem em chamas, indo a toda velocidade e no ponto de explodir a qualquer momento. Lembro que naquela época eu tinha acabado de chegar em Liverpool (Inglaterra), e o inglês não era minha primeira língua, então estar na mesma sala com 5 pessoas falando em Scouse (dialeto de Liverpool) rápido e alto foi um verdadeiro desafio para mim.
O espesso nevoeiro de fumaça que rodeava a pequena sala de ensaio impedia-me de ver a bateria e, em muitas ocasiões, confesso que não conseguia intender o que se estava passando. A única coisa de que eu tinha certeza era que amava a música que estava ouvindo.
Uma banda com uma identidade muito forte de Liverpool. Rock, Punk, Reggae, Garage, Ska são algumas das influências que iam saindo da banda enquanto a ouvia. Lembro-me com fascínio que eles podiam escrever melodias em um segundo, rápido, fácil e tocar por horas e horas, muitas vezes improvisando. E às vezes tinha a impressão de que eles poderiam continuar tocando para sempre.
Em todo caso, o que eu percebi claramente é que eles não paravam de fazer música e é sempre lindo assistir a quando isso acontece.

Eu ouvi imediatamente que eles podiam escrever músicas cativantes sem serem triviais ou cafonas, mas apenas punk, ásperos, “como são”, “sem máscaras”, intensos, com umã atitude de “mais coração e menos pensamento” ao escrever música. Algo muito curioso tudo isso.
Quando decidimos gravar o álbum deles, autointitulado ‘The White Widows, eles já tinham todas as músicas. E muito probabilmente outras centenas.
Eu estava so começando com a produção musical e gravamos quase todo o LP no estudio da minha escola, SAE Liverpool. De qualquer maneira decidi gravar três músicas no incrivel Parr Street Studios, o mais famoso de Liverpool.
Eu amo o estilo misto que eles tinham.
Músicas como ‘English Sky’, que descreve o cinza denso, profundo e cinzento do céu no Reino Unido, acompanhando tudo com uma batida claramente influenciada pelo reggae e, em seguida, retornando ao rock and roll mais selvagem. Mesma influência e estrutura com ‘Wasting our Time’. A música ‘Circus’, em vez disso, me lembra a sensação que tive em sua sala de prática, e ‘Lately’ é uma pérola que eu gostaria de regravar um dia, tendo mais experiência.

A composição de músicas foi um dos pontos mais fortes do The White Widows e aqueles que os conhecem sabem disso. pessoalmente, sempre pensei que a voz do cantor e o tipo de voz de rock que você encontra uma em um milhão. Esse, musicalmente, foi outro ponto forte da banda.
Bem, então aquele trem de que eu estava falando no início do post explodiu e os The White Widows decidiu se separar. Não tenho certeza do que aconteceu com os outros, mas com certeza um deles agora toca em uma ótima nova banda de Liverpool chamada @The Banshees, que eu definitivamente recomendo a todos os meus amigos para ouvirem.
Em breve também lançaremos duas músicas inéditas da banda, gravadas no Motor Museum Studio, antes da banda se separar. Trabalhar com os The White Widows foi uma experiência inesquecível, sem dúvida.

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